sexta-feira, 26 de agosto de 2016

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É verdade que, quando adolescente, eu tinha poucas ambições na vida. Não pensava muito na minha futura profissão, não tinha nenhuma paixão à vista e não sonhava em dançar valsa em uma festa de debutante pomposa. Meu único desejo, que consumia horas do meu dia em pesquisas, leituras e zapeadas no Animal Planet, era ter um golden retriever. E você, Kaoma, por acaso era um. Há especialistas em pedigree que talvez pudessem ter discordado da pureza do lance, mas eu nunca liguei se sua altura não tinha os centímetros exatos ou se sua pisada não correspondia à da família dos retrievers.

Naquela época, as pessoas não eram tão julgadas quanto a querer ter um cachorro de raça ao invés de adotar um vira-lata. Acho que bicho é bicho e, independente de misturas genéticas, merece ter um lar com donos carinhosos. E o seu esteve repleto de amor antes mesmo de você chegar, porque era com você que eu sonhava.

O momento em que olhei pra sua carinha de olhos caídos ainda é muito vívido na minha memória. Talvez não tenha sido a melhor das apresentações, já que a viagem de avião do Rio até Vitória provavelmente te traumatizou e fez você vomitar o carro inteiro durante o trajeto até em casa. Mas tivemos muito tempo para nos conhecer depois. Com muitos outros episódios escatológicos, sim, envolvendo mais enjoos no banco de trás e você comendo cocô antes de vir me lamber. Mas nada que amigos não possam esquecer.

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